Os indicadores de confiança dos consumidores e de clima económico aumentaram entre janeiro e março, interrompendo o perfil negativo sentido nos meses anteriores, divulgou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
A confiança dos consumidores aumentou entre dezembro e março, ainda que de forma mais ligeira no último mês. Nos três meses precedentes tinha-se sentido uma diminuição da confiança dos consumidores, resultando “em novembro [de 2022], no valor mais baixo desde o início da pandemia em abril de 2020”.
O INE detalha que a evolução positiva em março “resultou do contributo positivo das perspetivas de evolução futura da realização de compras importantes por parte das famílias”. No entanto, “as expectativas de evolução futura da situação económica do país e da situação financeira do agregado familiar, assim como as opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar registaram um contributo negativo”.
“O saldo das perspetivas relativas à evolução futura da situação financeira do agregado familiar diminuiu ligeiramente em março, após os aumentos registados nos quatro meses precedentes”, enquanto o saldo das opiniões sobre a evolução dos preços aumentou no último mês em análise, “depois de ter recuado nos últimos quatro meses face ao valor máximo da série registado em outubro, no seguimento da trajetória acentuadamente ascendente iniciada em março de 2021”.
Já o saldo das perspetivas sobre a evolução futura dos preços apresentou uma diminuição em março, “retomando a trajetória marcadamente descendente observada desde março de 2022, quando atingiu o valor máximo da série”.
O indicador de clima económico aumentou entre janeiro e março, ainda que de forma mais ligeira no último mês. Esta subida inverteu o movimento descendente visível há um ano.
O INE adianta que os indicadores de confiança da indústria transformadora e da construção e obras públicas aumentaram em relação a fevereiro, tendo apresentado uma diminuição de comércio e nos serviços, de forma mais expressiva neste último.
O órgão estatístico explica que o saldo das expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda diminuiu de forma expressiva entre novembro e março na indústria transformadora, alcançado o valor mais reduzido desde outubro de 2020. “Este saldo também diminuiu de forma significativa em março no comércio, atingindo o nível mais baixo desde outubro de 2021, enquanto na construção e obras públicas e nos serviços
verificaram-se reduções moderadas”.
Já o saldo das apreciações em relação à procura global diminuiu em março do presente ano, depois de ter aumentado em fevereiro. “As opiniões relativas à procura interna, considerando as empresas com produção orientada para o mercado interno, recuperaram em março, após se terem agravado no mês anterior”, escreve o gabinete estatístico, adiantando que em relação à procura externa agravaram-se, depois de uma recuperação nos dois primeiros meses de 2023.